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DJ

johnny

Pra falar melhor sobre isso, pedimos pra Tunica Teixeira, DJ e sonoplasta, que contasse pra gente como nasceu a profissão de DJ. E entrevistamos o Johnny Glovez, um dos mais bem sucedidos DJ’s de musica eletrônica do Rio de Janeiro. Confira aqui a entrevista do Johnny e abaixo a divertida narrativa da Tunica.

“Se não me falha a memória, tudo deve ter começado na década de 50 (se não, um pouquinho antes!)

O que é necessário pra ser um dj?

A primeira coisa não é gostar de música, é gostar de festa!

No mundo sempre houve festa, e as festas antigas eram com música ao vivo.  Além das grandes festas palacianas e outras que tais, as festas mais particulares e menos públicas eram as chamadas festas de família.  O que eram as festas de família? Reuniões em torno de acontecimentos tais como nascimentos, aniversários, datas religiosas, reveillons etc. E, desde o começo com dança e música (ao vivo).

O advento do aparelho de som é que proporcionou o surgimento dessa figura, o dj!  Dj, quer dizer discjockey ou em  tradução livre, “aquele que cavalga ou pilota os discos”. Era a profissão que existia nas rádios, desde a sua inauguração na década de 1920, no Brasil. Com o sucesso das rádios e seus auditórios cheios de fãs, somada à crescente escalada nas vendas de discos, as famílias se acostumaram a ouvir os seus discos preferidos em casa, depois do jantar.  Por exemplo.

Todos tinham suas eletrolas de armário, imensos móveis irremovíveis e as famosas RCA Victrolas (nome das eletrolas que eram dessa marca, a “do cachorrinho”! Daí o nome vitrolas!) Umas maiores, outras menores, mas todas tocavam as suas músicas favoritas.  A televisão na década de 1950 tinha acabado de ser inventada e a programação, no único canal – a TV Tupi – era, inicialmente, de 2 horas diárias.  E, naquela época, as pessoas que se visitavam à noite mais amiudadamente, levavam os discos adquiridos recentemente pra tocar uns nas casas dos outros.

Com a ascensão da classe média dos anos cinquenta e o sucesso dos filmes estrangeiros, cada vez mais casais e famílias que viajavam para o exterior, traziam de lá presentes e novidades (como perfumes, licores, vinhos, whiskys (scotch), radinhos de pilha, creme Nívea, conjuntos de BanLon*, discos etc…). As festas viraram a ocasião social mais propícia para quem queria se divertir e… ostentar .

Uma das figuras icônicas dessas festas de aniversário eram os tios solteiros, que haviam acabado de chegar do exterior, e trazido uma eletrola Zenittt (portátil, último tipo!) para abrilhantar a festa. E uma caixa de scotch para os mais velhos. Esse é o ovo do dj!

Ele acabava pilotando o equipamento novo para demonstrar como era lindo, portátil e útil o presente que o Tio Roberto tinha trazido! Aproveitavam para tocar os discos que traziam, dos últimos títulos do cinema que nem haviam chegado por aqui. Fazia muito sucesso e as festas eram faladas por anos!

O tio Bebeto, muito viajador, acabava fazendo duas a três viagens por ano e aceitava encomendas para trazer, de eletrolas a bebidas, correndo o risco de virar contrabandista, etc.  Com isso, também não rejeitava os convites dos amigos da família para demonstrar os aparelhos e os discos novos que havia trazido na última viagem. E abrilhantar a festa, é claro!

Essas festas eram muito democráticas, pois lá estavam os avós, os adultos e a “criançada”.  A coisa só começou realmente a se configurar no final da década de 1950, quando a criançada se bifurcou em meninada e adolescentes.  E foi aí o advento da música para a juventude, o advento do rock-and-roll e outros ritmos da juventude!

Então, nas festas, começou-se a realizar o ritual de “enrolar o tapete”, logo depois de apagar a velinha (para os mais velhos irem pra casa ou se recolherem ) e o baile começar. Geralmente os adultos homens iam para o escritório do dono da casa tomar o seu uisquinho e falar de negócios, enquanto as mulheres iam pra cozinha, fofocar e fazer a “matula” pras pessoas levarem pra casa. Às vezes apareciam pela sala pra dar uma olhadinha na coisa, ou dançar uma música mais lenta…

Enquanto isso, a festa corria solta e os adolescentes não se chateavam com a presença da criançada, pois elas eram perfeitas para mandar recadinhos pras meninas e meninos, ou para descolar com os mais velhos, um pouco de bebida no escritório. Os Tios Bebetos acabavam curtindo os dois ambientes, pois sempre foram mais chegados aos jovens e serviam de babá para os adultos.

Essa situação perdurou até o começo ou a metade da década de 1960, quando as festas de família se mudaram pra festas de garagem. A moda agora era, desde o final dos 50, as boates, e os mais velhos preferiam os shows e as noites de papo em sociedade, que se desenrolavam também nos clubes. A “criançada” ia ao clube também, ou às festas da escola.

A turma do ginásio fazia festas nas quadras e, como todos moravam mais ou menos perto e eram amigos de bairro, acabavam congregando as escolas públicas com particulares, para se divertirem em casa, nas garagens.

Naquela época a turma saia com o violão debaixo do braço e fazia música nas praças e barzinhos (era o início do império das lanchonetes como ponto de encontro da juventude!).

As rádios, e agora também a TV, já haviam descoberto o público jovem como um consumidor de primeira classe e investiam nos novos talentos, naqueles com esse tipo de apelo.

Esses primeiros djs, eram os donos das garagens, que  faziam um tipo de “vaquinha” ou não, dependendo das posses dos proprietários, para pagar as despesas. E faziam a festa, literalmente. As festas de aniversário desses adolescentes “baixaram” todinhas pras festas de garagem. E os equipamentos, que começaram a ficar mais sofisticados, já eram sinal de status!

Assim, como os tios Bebetos, esses animadores de festas começaram a ser disputados e pagos, pra fazer tais eventos. As casas noturnas, desde o final dos anos 60, já faziam festas com dj, ou música mecânica, como se acostumou chamar…

Depois, já nos anos 1970, esse tipo de festa deslanchou e ninguém mais conseguiu segurar.

Como disse aqui, no começo dessas memórias, o dj tem de gostar de festa. Não pode querer impingir o seu gosto ao que se chama hoje de pista.  Quem faz a festa é quem sai pra dançar e se divertir. O dj cuida da festa, que não pode parar.

O bom dj é o que não esvazia  a pista, certo?

Por isso, tem de estar sempre ligado no que a “turma gosta de dançar”. Não tem fiasco maior do que se a pista pede uma música e o dj nem sabe do que se trata. Se liga, garoto!  Tio Roberto tá de olho!

* conjunto de banLon é muito difícil de explicar o que é… bem mais fácil você perguntar pra sua avó… ou dar uma olhadinha no google

Dica: 2 músicas infalíveis pra festas, que sempre lotaram qualquer pista desde 1969 são:  Satisfaction (The Rolling Stones) e Pata Pata (Miriam Makeeba) . Vai por mim!