Claudio Furtado

Arquiteto e professor, doutor pela FAUUSP, Claudio Furtado acumula experiência nos mais variados tipos de projetos para residências ou reformas de casas e apartamentos. Como urbanista, participou da equipe que projetou Caraíba, na Bahia, assim como da reforma da Av. Paulista. Claudio tem ainda outra especialidade que são os projetos de iluminação para casas, lojas, cinemas, apartamentos e terminais de aeroporto e ônibus. Confira abaixo sua entrevista para o Vocacional.


 

VOC – Olá, Claudio, é um prazer e uma honra tê-lo conosco aqui no site Vocacional.

CF – A honra é minha de estar com você e ajudar jovens a orientar-se profissionalmente.

VOC – Pra começar, conte pra nós o que é que você faz hoje e como.

CF – Atualmente tenho um escritório de arquitetura e de iluminação. Faço projetos principalmente de residências ou reformas de casas, apartamentos e coisas assim. Por outro lado, desenvolvo projetos de iluminação, quase sempre para outros colegas, em projetos dos mais variados, desde residências, lojas, cinema, terminal de aeroporto, terminais de ônibus, enfim é um trabalho bem diversificado.

VOC – E você sempre trabalhou com isso ou chegou a essa especialidade com o tempo e a experiência?

CF – Minha vida profissional começou quando eu estava no 3º ano da faculdade e meu futuro sogro me encomendou uma casinha no Guarujá. Convidei um amigo e fizemos o projeto da casa. Foi como uma droga: fique viciado e passei a adorar projetar casas. Até hoje é o que mais gosto de fazer. A iluminação veio bem depois. Pelos idos dos anos 90, com a crise no Brasil do governo Collor, meu sócio, que tinha aprendido sobre projeto de iluminação com um holandês amigo da família, me ensinou a calcular; e então começamos a desenvolver projetos nessa área. Havia uma carência muito grande e eram poucos os profissionais habilitados para isso.

VOC – E qual é a sua formação?

CF – Fiz a FAUUSP e depois passei seis anos trabalhando em grandes escritórios de arquitetura que me deram experiência prática. Trabalhei com o Cauduro no projeto da avenida Paulista, do que sobrou apenas os totens e, principalmente, com Joaquim Guedes no projeto da cidade de Caraíba na Bahia, que foi um verdadeiro mestrado em arquitetura. Ele era um dos mais competentes arquitetos que conheci. Na época não havia um curso regular de pós-graduação em arquitetura, de modo que esse trabalho foi o meu. Só vim a completar minha formação acadêmica mesmo em 2005, com o doutorado na USP.

Quanto à iluminação, tinham poucos cursos regulares, fiz um curso na politécnica de Nova York por correspondência, alguns cursos na Osram e na Philips, mas meus mestres mesmo foram o antigo sócio e um ex-diretor da Philips. Além de muita revista e muita leitura sobre o assunto, é claro.

VOC – E quando você era jovem e estava em fase de decisão de curso, faculdade ou carreira, teve alguma dúvida por outro caminho? Se teve, qual foi ele e o que o fez decidir pela Arquitetura?

CF – Bem, se tive dúvidas? Acho que todo mundo tem… afinal a gente resolve seguir um caminho nem sei bem como. Primeiro pensei em ser poeta, isso não é profissão, meu pai era muito conservador e queria que eu fosse engenheiro. Depois lendo revista e tal, resolvi ser aluno da FAU. O gosto pelo ofício surgiu quando comecei a projetar a casa do sogro. A FAU produzia de tudo: arquitetos, urbanistas, fotógrafos, músicos, cartunistas, cineastas, publicitários, designers, etc. Então sabia que era por ali que eu ia trabalhar. Quase desisti no meio, pois comecei a frequentar as aulas de filosofia e me encantei, passava muito tempo lendo e me desliguei um pouco da arquitetura; depois o encanto do projeto me tomou de volta.

VOC – Claudio, então conte pra gente como foram seus primeiros anos de atividade na área de arquitetura? Em quais profissionais, artistas, modelos você se inspirava?

CF – Impossível para um arquiteto brasileiro não ser influenciado pelos dois maiores nomes da área Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha. Esses foram os primeiros, mas assim que fui me enfronhando na profissão outros nomes apareceram como James Stirling, arquiteto Inglês que fez muito sucesso nos anos 80; no Brasil, o grupo arquitetura nova de Rodrigo Lefèvre e Sergio Ferro, o amigo e colega Marcos Acayaba. Depois a lista foi ficando imensa.

VOC – Você pode dizer que teve um grande desafio, projeto ou experiência que tenha sido muito marcante na sua carreira?

CF – O mais marcante foi trabalhar com o Guedes na cidade de Caraíba. Eram cerca de 50 arquitetos num andar da avenida Paulista convivendo 9 horas por dia num projeto desafiador e com um chefe muito presente e diretivo: tínhamos que descobrir o que ele queria e mesmo assim, nunca acertávamos. Ele sempre estava descontente e querendo uma solução melhor. Noites e noites sem dormir sobre a prancheta desenhando escolas, hospitais, praças, hotéis, tudo que uma cidade tem. Foi muito estimulante também.

VOC – Há algum outro evento marcante, projeto ou mudança que você gostaria de nos contar?

CF – Em 2009, três jovens arquitetos amigos me convidaram para participar do concurso para a reurbanização da costa da cidade de Fortaleza. Eu era o único que conhecia o local, pois dava e dou aulas lá num curso de pós-graduação lá, a cada 2 anos. Sem me privar das demais atividades, dava aula em São Paulo também. Passamos noites em claro desenvolvendo um projeto, cujo edital tinha muitos pontos obscuros e tínhamos que tomar a decisão por nós mesmos. Ficou um projeto bem interessante e obtivemos o terceiro lugar.

VOC – Claudio, agora conte pros nossos internautas como é o seu cotidiano? Você trabalha só ou tem uma equipe?

CF – Meu cotidiano hoje é bem tranquilo. Normalmente de manhã visito obras ou clientes e tomo providências de compra de materiais, essas coisas. Depois do almoço vou ao escritório e tenho uma arquiteta que trabalha comigo, que é muito eficiente. Lá nos dedicamos ao trabalho de projeto. Nas horas livres do escritório, enquanto ela desenvolve o desenho que já decidimos, me dedico a escrever artigos e ensaios sobre arquitetura.

VOC – Tem alguma outra área da Arquitetura em que você gostaria de atuar? Ou até mesmo outra área de atividade?

CF – Não, acho que projeto é minha área, então qualquer projeto é interessante, de uma casinha de cachorro a um aeroporto é igual, é projeto e é sempre muito gostoso de fazer.

VOC – Como é o seu lazer?

CF – Principalmente ler, literatura, um pouco de filosofia, história. Gosto de musica também, acompanho bastante a Osesp, estar com amigos, essas coisas comuns.

VOC – Quais são seus projetos futuros?

CF – Não tenho projetos futuros, a não ser tocar o que aparece. A vida foi tão pródiga comigo, me dando tantas oportunidades fabulosas, que nem tenho direito a pedir mais nada.

VOC – Tem alguma dica ou conselho que você possa dar pra alguém que está escolhendo, estudando ou ingressando nessa área, ou tudo isso junto?

CF – Acho que a frase é de um amigo jovem, que diz alguns colegas foram fazer a GV e agora ganham uma fortuna, mas detestam o trabalho; e outros foram fazer arquitetura, ganham mal, mas adoram o que fazem.

VOC – Ah! Então leia um artigo de nosso site que se chama: Gente de humanas que faz um monte de coisas que não dá dinheiro. Você vai gostar! E muito obrigada Claudio, por dividir conosco seu tempo, simpatia e experiência.

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