Arquivo do autor:Ciça Bueno

ARQUITETO, UMA PROFISSÃO COM INUMERAS POSSIBILIDADES

ARQUITETURA é uma das áreas profissionais mais antigas do mundo, já que ter um lugar pra se abrigar das intempéries da natureza, descansar, fazer refeições e criar os filhos, foi uma das primeiras necessidades humanas. Com o tempo, o abrigo elevou-se à condição de moradia onde o bem-estar, a insolação, a segurança, o conforto e até a beleza, passaram a ter seu grau de importância. Aos poucos, a Arquitetura passou a ser símbolo de poder, a construir e defender cidades e Estados, a erguer castelos e fortalezas, protegendo povos e culturas. E ao longo do tempo elevou-se de status e passou a ser considerada Arte, concebendo palácios, templos e monumentos. Nos últimos séculos da História, a Arquitetura sofisticou-se, pluralizou-se e se dividiu em diversos segmentos: arquitetura para projetar residências, apartamentos, grandes edifícios, indústrias, empresas, lojas, shoppings centers e complexos urbanos, além de design, desenho industrial, artes gráficas, artes plásticas, direção de arte, cenografia, decoração de interiores, design de móveis e objetos, paisagismo, restauração, retrofit, iluminação, sinalização e tantos outros. Como atividade complexa e multidisciplinar, a Arquitetura açambarca vários saberes, desde a sua base com a matemática e a física, até às ciências, as artes, a tecnologia, a sociologia, a política, a história, a filosofia, entre outros, sendo difícil concebê-la de forma precisa, já que o conceito tem diversas acepções e a atividade vários desdobramentos. Vocacional entrevistou alguns profissionais da área pra ilustrar as inúmeras possibilidades que essa profissão oferece. Não perca!


 

Augusto Lívio Malzoni

Arquiteto e artista plástico

Cláudio Briganti

Arquiteto de sítios, fazendas e casas de praia

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Cláudio Furtado

Arquiteto, professor, especialista em iluminação

Felippe Crescenti

Arquiteto, design de interiores, cenógrafo

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Marcel Steiner

Designer e especialista em retrofit

Renato Tavolaro

Arquiteto e restaurador de prédios antigos e tombados

Conhece-te a ti mesmo

 oraculo de delfos

Segundo a mitologia grega, berço de nossa cultura, fazer uma consulta oracular era se dirigir ao Oráculo de Delfos (foto acima), um refúgio onde reinavam a harmonia e o equilíbrio, em busca de mensagens que respondessem às duvidas do consulente. Na porta do templo, encontrava-se e encontra-se ainda a frase, ou a máxima, “Conhece-te a ti mesmo”, famosa até hoje porque nos incita ao autoconhecimento, prática tão importante antigamente quanto nos dias de hoje.

Naquela época, algo como 1000 a.C. a 2000 a.C., a consulta ao oráculo era respondida pela Pítia ou Pitonisa, uma sacerdotisa que descia às regiões subterrâneas, o umbigo ou centro da Terra e, que possuída pelo êxtase e entusiasmo, retornava de lá com a resposta.

Na verdade, a Pitonisa se recolhia a uma sala no interior do templo e lá, no inacessível, no sacrossanto, no domínio do sagrado, era possuída por Apolo, o deus mântico. Traduzindo: a Pitonisa descia ao centro da Terra (o inconsciente) e, tomada de êxtase e entusiasmo (a intuição), auscultava a vontade do Deus Apolo (o self), o Deus da luz e da consciência. Ou ainda, como dizia Heráclito, um pensador pré-socrático do século V a.C., “o Deus soberano, cujo oráculo está em Delfos, nem revela, nem oculta coisa alguma, mas manifesta-se por sinais”(1). Apolo, que era o guardião do templo, não esconde nenhuma verdade, apenas faz com que o consulente compreenda sua própria vontade.

apolo e dionisio 2

Apolo (foto acima à esquerda) era o deus-sol ou o deus da consciência, considerado o grande harmonizador dos contrários e, se suas origens revelam ligações ctônicas, sua história nos demonstra que o deus também conquistou o epíteto de O Brilhante, o Sol. Regendo a luz e as sombras, ou o consciente e o inconsciente, Apolo é o realizador do equilíbrio e da harmonia dos desejos. Apolo não visava suprimir as pulsões humanas, mas sim orientar os discípulos e seus desejos para uma espiritualização progressiva, para o desenvolvimento da autoconsciência. (2)

Mas é preciso registrar também a presença de Dionísio no Oráculo de Delfos. Por ocasião de umas férias de Apolo, Dionísio tomou conta do oráculo e imprimiu à consulta o êxtase e o entusiasmo – seus maiores atributos – inclusive esse último, que quer dizer ter Deus em mim.

Dionísio, ou Baco (foto acima à direita), é o herói do signo de Peixes, cujo regente é Netuno. Por isso é que fazer uma consulta ao oráculo é uma experiência que açambarca tanto a consciência, Sol, como a sensibilidade mediúnica, regida por Netuno.

Quando alguém procura um profissional para fazer uma consulta, está em busca da harmonia e mesmo que não saiba, disposto a se entregar, a se deparar com não sabe bem o quê, disposto a abrir sua alma, expor seus interiores, ou melhor, escarafunchar o seu inconsciente, se autoconhecer. Cabe ao astrólogo captar e traduzir o céu do momento do nascimento do consulente de modo a favorecer ao máximo a sua busca pela dita harmonia, através do autoconhecimento.

Ciça Bueno, fevereiro 2015

 (1), (2) – ambas citações estão no livro “Mitologia Grega, vols 1,2 e 3, Junito de Souza Brandão, RJ, 1991  , editora Vozes.

 

Sobre Meio Ambiente

Leia abaixo esse texto sobre o meio ambiente que está circulando na Internet, sem indicação de autoria. Muito interessante!

lixo eletronico 2

Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa:
– A senhora deveria trazer as suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigos do meio ambiente.

A senhora pediu desculpas e disse: – Não havia essa onda verde no meu tempo.

O empregado respondeu: – Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. A sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso ambiente.

– Você está certo – respondeu a velha senhora – a nossa geração não se preocupou adequadamente com o ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso e, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

E continuou: – Realmente não nos preocupávamos com o ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas sem reclamar, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até ao comércio, ao invés de usar o nosso carro de 2000 cavalos de potência a cada vez que precisávamos ir a dois quarteirões.

– E mais, você está certo: nós não nos preocupávamos com o ambiente. Até então, as fraldas dos bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis, as roupas secas eram obtidas por energia solar e eólica e não por essas máquinas bamboleantes de 220 volts, os meninos pequenos herdavam as roupas que tinham sido dos seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.

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E a velhinha não parou por aí: – Mas é verdade, não havia preocupação com o ambiente naqueles dias. Nós tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço e não de um telão do tamanho de um estádio, que depois será descartado como?

– Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usávamos jornal amassado para protegê-lo e não plástico bolha ou pellets de plástico que demoram cinco séculos para degradar.

– Naqueles tempos não se usava motor a gasolina para cortar a relva, mas sim um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário e não era preciso ir a uma academia, nem usar esteiras que só funcionam à eletricidade.

– Mas você tem razão, prosseguia ela: naquela época não havia preocupação com o meio ambiente. Bebíamos água diretamente da fonte, quando tínhamos sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos.

– As canetas eram recarregadas com tinta tantas vezes fosse preciso, ao invés de comprar outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos ‘descartáveis’ e poluentes só porque a lâmina ficou sem corte.

– Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas apanhavam o ônibus e os meninos iam de bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 . horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos elétricos. E nem precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço só para encontrar a pizzaria mais próxima.

lixo eletronico

E a senhora concluiu: – Então, não é risível que a atual geração fale tanto em “meio ambiente” e não queira abrir mão de nenhum conforto nem queira viver como se vivia na minha época?

– Então temos todos que pensar muito sobre o meio ambiente, disse ela. E lá se foi com suas sacolas plásticas lotadas com suas compras…

PS: acrescento, sem saudosismo, que muitas destas e outras atividades eram geradoras de empregos que hoje foram extintos.

 

Minha paixão pelo Tom Jobim

tom jobim 1As últimas manchetes sobre os 20 anos da morte do maestro, lembraram-me de minha paixão por ele.

Eu nasci no final da década que inventou a Bossa Nova e desde pequena ouvia tudo o que saia de novidades, através dos meus irmãos mais velhos, que adoravam música. Eu me lembro que meu irmão chegava da faculdade e ligava a Rádio Eldorado na vitrola da sala, que passava o dia ligada: eu acompanhava tudo.

Logo cedo meu pai me pôs pra aprender piano clássico, mas logo eu barganhei o piano pelo violão e comecei a tocar os sucessos da Bossa Nova e dos grandes compositores da época, entre os quais o nosso mestre Tom Jobim.

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Passei a adolescência tirando e acumulando canções no violão até que conheci o saudoso José Henrique Bello, artista plástico, amigo do meu irmão e de muitos artistas do Rio de Janeiro. O Zé morou no Rio na época do Pasquim, onde trabalhou, participou da inauguração da banda de Ipanema e era amigo de gentes como Tom, Ziraldo, Sergio Cabral, Carlinhos Lyra, Roberto Menescal e tantos outros.

Apesar da nossa grande diferença de idade, eu e Bello nos tornamos grandes amigos. Ele adorava me ouvir e me acompanhava batucando numa caixa de fósforos.

Um dia fui pro Rio com minha irmã e o namorado e liguei pro Zé, que também estava lá. Ele combinou de nos encontrarmos no dia seguinte num boteco de Ipanema pra tomar café da manhã, por volta das 11h. Fomos todos. Sentamos os quatro numa mesa e ele me pôs de costas pra porta. Às tantas me disse: que bom poder te fazer essa surpresa! E quando eu olhei pra trás, estava o maestro Tom Jobim em carne e osso.

Eu quase tive uma síncope, mas consegui conter a tietagem. E o maestro sentou-se conosco. Isso devia ser lá pelo final da década de 1970. Eu estava extasiada de estar ali, ao lado dele, ouvir sua voz, seu sotaque e seu tom sempre entre o brincalhão e o mal-humorado. Ali ficamos por alguns minutos e o Tom nos convidou pra mudarmos pro Garota de Ipanema pois já estava na hora do primeiro chopinho.

Lá fomos nós. Chegando ao famoso boteco, sentamos numa mesa grande em que já estavam alguns amigos dos dois, Tom e Zé Bello. A mesa só tinha gente interessante, descolada, engraçada, tipicamente carioca. Era uma quarta-feira. Ficamos por ali umas duas horas. E eu quase não acreditava em tudo aquilo que estava acontecendo.

Lá pelas tantas, o Zé nos fez um sinal e nós levantamos, deixando o pagamento estimado da nossa despesa sobre a mesa e saímos com ele e o Tom. Fomos então convidados pra ir à casa do maestro, que na época morava no morro do Alto Leblon e ainda era casado com a primeira esposa, a Tereza da Praia, mulher linda, a essas alturas já uma senhora. Muito simpática, nos serviu café e biscoitos.

E aí é que meu coração disparou pelo resto da tarde: ficamos ouvindo o maestro ao piano, um belo instrumento de cauda preto, em que tocou coisas como Sabiá, Olha Maria, Insensatez, entre as minhas preferidas; e muitas, mas muitas outras mais também. Tivemos ainda o privilégio de conhecer o Paulo Jobim, seu filho, que às tantas chegou e o acompanhou em alguns números na sua primorosa flauta.

E por ali ficamos algumas horas até que a noite caiu e nos lembramos de que era hora de tomar nosso rumo. Foi a maior experiência musical da minha vida e eu jamais esquecerei de cada detalhe.

E agradeço até hoje ao meu saudoso e falecido amigo Zé Henrique Bello, que entre outras inúmeras histórias que passamos juntos, me presenteou com essa, que é uma das mais fortes da minha vida!

Maestro Jobim: estamos há 20 anos sem a sua pessoa, mas jamais ficaremos sem a sua musica!

Ciça Bueno, dezembro 2014