Fernando Pessoa

Fernando Pessoa ou Fernando Antonio Nogueira Pessoa foi um dos maiores poetas da língua portuguesa, além de escritor de prosa, crítico literário, tradutor, editor e filósofo. Pessoa viveu pouco, de 1888 a 1935, mas produziu muito mais do que se pode imaginar porque criou outros tantos poetas, os chamados heterônimos, dos quais três ficaram mais afamados: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Vocacional cometeu a ousadia de fazer sua biografia e seu perfil. Não deixe de conferir!

Veja aqui seu perfil vocacional completo: Download


Escrever sobre Fernando Pessoa é uma verdadeira ousadia. Mas não temos a pretensão de fazer uma biografia que contemple na íntegra a extraordinária riqueza dessa vida e alma humanas. No entanto o escolhemos, primeiramente porque cultivamos, mais que uma admiração, um fascínio por essa personagem, cuja genialidade concebeu mais de uma centena de heterônimos; e em especial porque Pessoa não só era grande conhecedor e praticante da Astrologia, como chegou a criar Rafael Baldaya, seu heterônimo astrólogo, e a dar consultas para sobreviver.

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Não temos ainda a menor pretensão de competir com as poucas biografias já existentes sobre o autor, tais como a de João Gaspar Simões (1), e (2) que foi seu editor, ou Ángel Crespo (3), seu tradutor para o castelhano, Robert Bréchon (4), seu maior divulgador na França, José Cavalcanti Filho (5), um brasileiro ou ainda mais recentemente a de Nuno Hipólito(6); mas sim de plantar nos corações e mentes de quem nos lê, a curiosidade de conhecer esse fenômeno e a obra que concebeu.

A biografia que traçaremos será inspirada no livro de Lilian Fontes (7), arquiteta, escritora e astróloga, autora de biografias e ensaios, grande conhecedora da poesia fernandina , que narra a vida e a obra de Fernando Pessoa a partir de uma perspectiva astrológica, o que muito enriquece nossa temática vocacional.

Fernando Pessoa nasceu em 13 de junho de 1888, em Lisboa, primeiro filho de um casal de classe media alta. Seu pai era funcionário público e crítico literário; sua mãe era bem nascida e criada, culta e poetisa. Pessoa passou os primeiros anos de vida em Lisboa e, apesar de parecer uma criança normal, aos 4 anos já sabia ler e escrever. Ainda aos 4 anos, Fernando ganhara um irmão, mas aos 5 o perdeu, assim como também ao pai, vítimas de tuberculose. Sua infância, até então saudável, sofreu o primeiro trauma. Sua mãe casou-se novamente com João Miguel Rosa, Consul em Durban, na África do Sul, pra onde mãe e filho se mudaram.

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Fernando pessoa aos 10 anos

Em África, Pessoa cursou um colégio de freiras no nível primário e depois passou ao Durban High School, escola tipicamente inglesa, onde foi apadrinhado pelo diretor-mentor W. H. Nicholas, grande conhecedor da literatura inglesa, que já o havia avançado alguns graus no currículo escolar, por ter visionariamente vislumbrado o enorme potencial de seu aluno; Nicholas teve papel importante na formação de Fernando, motivando-o desde cedo ao estudo da cultura e das línguas inglesa e francesa, a ler W. Shakespeare, John Milton, Lord Byron, Percy Shelley, John Keats, Alfred Tennyson e Edgard Allan Poe. No primeiro ano da High School Fernando já se destaca, recebendo o prêmio de melhor da classe; e no ano seguinte novo prêmio por melhor texto escrito em francês. Ganharia ainda o Form Prize, por General Excellence e em 1904, o prestigiado prêmio Queen Victoria Memorial Prize pelo melhor ensaio escrito em inglês. Em apenas dois anos Fernando completou o High School, quando o habitual eram cinco. Ainda em África começa a escrever poesia e prosa em inglês. A presença da África do Sul em sua formação só será registrada na obra de seu heterônimo viajante, Álvaro de Campos, anos mais tarde.

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Fernado Pessoa aos 15 anos

Fernando Pessoa volta a Lisboa para fazer estudos superiores em 1905 e vai morar com uma tia. Matricula-se então no Curso Superior de Letras. Mas no ano seguinte desiste do curso e opta por fazer uma formação autodidata, frequentando assiduamente a sala de leitura da Biblioteca Nacional de Lisboa, onde mergulhava nas obras não só de literatura, mas também de filosofia e política. A qualidade de seus textos era saliente, bem como a facilidade com que escrevia e dominava várias línguas. Sua primeira publicação foi em 1902, no jornal O Imparcial, de Lisboa, onde o diretor o apresenta como um poeta de 14 anos.

Em 1908, aos vinte anos, ingressa num escritório comercial da Baixa em Lisboa, dedicando-se à tradução de correspondência comercial, ocupação a que poderíamos dar o nome de “correspondente estrangeiro”. Ainda em Durban, teria feito curso na Commercial School e nessa atividade trabalharia a vida toda, mantendo uma modesta vida pública.

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Fernando Pessoa aos 20 anos

Em 1909, sua avó paterna falece e ele herda uma pequena herança. Com ela abre uma tipografia que mal chega a funcionar, devido à forte concorrência com outra centena de tipografias que operavam naquela época. E recusa várias ocupações temendo atrapalharem a realização de sua obra. Fernando vai morar sozinho. Nesta fase, em que declara que sua poesia sofria influência de Antero, Junqueiro, Cesário Verde, Almeida Garrett, Antonio Nobre e Antonio Correia de Oliveira, seu maior interlocutor é o intelectual General Henrique Rosa, irmão de seu padrasto.

Em 1912, Pessoa estreia como crítico literário em A Águia, veículo representante dos poetas saudosistas, fundadores da Renascença Portuguesa, movimento de renovação política vigente na ocasião, onde publica o artigo A nova poesia portuguesa sociologicamente considerada. Ainda em 1912, seu amigo Sá-Carneiro ingressa na Universidade da Sorbonne, em Paris, iniciando-se a famosa correspondência entre os dois amigos.

O ano de 1914 ficaria marcado em sua vida por vários eventos. Publica a poesia Pauis e inaugura nova corrente literária, o paulismo, que se diferencia do saudosismo e do decandentismo*, por se utilizar de elemento intelectual para expressar as emoções.

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Paul Verlaine e Claude Baudelaire

O termo decadentismo descreve uma corrente estética vigente no fim do século XIX na Europa, que se contrapõe ao realismo e ao naturalismo. Sua origem refere-se mais diretamente ao modo pejorativo como é designado um grupo de jovens intelectuais franceses que compartilham visão pessimista do mundo, acompanhada de inclinação estética ao subjetivismo, à descoberta do universo inconsciente e ao apreço pelas dimensões misteriosas da existência. Os escritores e poetas simbolistas dos anos 1880 e 1890 são considerados os primeiros expoentes do decadentismo. O simbolismo, corrente de timbre espiritualista, encontra expressão nas mais variadas artes, pensadas uma em estreita relação com as outras (…). A poesia simbolista sonda os mistérios do mundo e o universo inconsciente por meio de sugestões, do ritmo musical e do poder encantatório das palavras. É possível compreender o simbolismo e o decadentismo como desdobramentos do romantismo, alimentados pela reação ao cientificismo que acompanha o desenvolvimento da sociedade industrial da segunda metade do século XIX. (editado de www.enciclopédia.itaucultural.org.br )

Rapidamente a nova forma se espalha entre os amigos de Pessoa, que passam a dotá-la em suas obras, apesar do novo estilo ser atacado pelos críticos que não viam na nova corrente uma significativa diferença em relação ao decandentismo. Abalado, Pessoa, influenciado por outros movimentos que circulavam nas artes na Europa, propõe uma transformação, o Interseccionsimo, que consiste em intercalar duas imagens – a real e a sonhada – compondo uma só estrutura, composta em dois planos.

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Mario Sá Carneiro

O ano de 1914 ficaria ainda mais marcado pelo surgimento de Alberto Caeiro e alguns importantes poemas seus como O guardador de rebanhos. Em resposta a Caeiro, Pessoa ele-mesmo, o ortônimo, escreve os seis poemas de Chuva Oblíqua, texto-chave do Interseccionismo. Ainda nesse ano, surgiria Alvaro de Campos, a primeira poesia de Ricardo Reis e, após profunda crise depressiva, alguns trechos desconexos do Livro do Desassossego de Bernardo Soares, seus principais heterônimos.

FUTURISTAS

Artistas Futuristas

Entre os anos 1910 e 1920, surgiram inúmeros movimentos estéticos, entre os quais o expressionismo, o cubismo, o futurismo e Pessoa oscilaria sem definição quanto à postura que deveria assumir perante eles. Apesar de ter facilidade de assimilar conhecimentos, sua curiosidade e interesse por tudo não lhe permitiam se fixar a nenhum movimento. Sua criatividade e mobilidade intelectual permanentes o dispersavam e não o conduziam até um final, interessando-se por outras formas no meio do caminho, abandonando as anteriores, sem abraçar qualquer escola por falta de constância e persistência. Comenta Sá-Carneiro, seu amigo mais próximo, que Pessoa escrevia fragmentos admiráveis de obras admiráveis, mas nunca terminadas (7, pág. 46). E o próprio poeta comenta sobre isso:

O caráter de minha mente é tal que odeio os começos e os fins das coisas, porque são pontos definidos. Aflige-me a ideia de que se descubra uma solução para os mais altos e nobres problemas da ciência e da filosofia; horroriza-me a ideia de que uma coisa qualquer possa ser determinada por Deus ou pelo mundo. (O. em Prosa, p.39)(7, pág. 48)

Orfeu
Na tentativa de dirigir o movimento literário em meio a tantas correntes, o poeta, juntamente com amigos – Sá-Carneiro, Luis de Moltalvor, Cortes Rodrigues, Almada Negreiros e o brasileiro Ronald de carvalho – funda a revista Orpheu (1915), que apesar de se propor modernista e revolucionária, foi recebida pela crítica como simbolista e pretensiosa. Por conta dessas críticas e do suicídio de Sá-Carneiro, a revista teve apenas dois números publicados.

REVISTA-CONTEMPORANEANo entanto, persistia em Pessoa a necessidade de se destacar em seu trabalho, de ser o fundador de uma estética, de uma escola, uma ambição grosseira de brilhar por brilhar, como dizia ele mesmo. Passado algum tempo como colaborador de alguns jornais e da revista Contemporânea, surge Atena, revista sob sua liderança, que apesar de ter tido só cinco números publicados, foi mais bem acolhida pela opinião pública. Ainda com o intuito de ser um divulgador cultural independente, Pessoa funda a editora Olisipo, que acabou se envolvendo em processo judicial por publicar obras de Antonio Boto e Raul Leal, retiradas do mercado por pressão da opinião pública, que alegava serem moralmente provocativas. Mais uma de suas tentativas comerciais terminava em fracasso. Sua notória facilidade em absorver correntes estéticas e linhas de pensamento que despontavam, embora não se ligando a nenhuma, aliada à sua tendência à liderança, tornavam-no o instigador de novas estéticas, o porta estandarte dos movimentos, comenta Lilian Fontes, 7, pág. 49.

 

Sobre seu mapa de nascimento versus sua obra

Os poetas não tem biografia, sua obra é sua biografia, (8)

Em seu livro, Lilian Fontes comenta que a Poesia se utiliza de imagens, ritmos e símbolos para estabelecer uma relação entre o homem e o mundo; a Astrologia também se utiliza de um sistema de símbolos e analogias para estabelecer a relação entre o homem e o Universo que o cerca (7, pág. 14). No mapa astral de nascimento de Pessoa ( 13/06/1888, 15h20, Lisboa/Portugal), vemos a forte presença de 4 traços astrológicos: Gêmeos, Leão, Escorpião e Capricórnio.

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Com quatro planetas em Gêmeos, esse é o traço mais presente, que lhe confere qualidades como forte acento da atividade mental, da intelecção, da comunicação, do uso da linguagem pra exprimir os pensamentos, da facilidade em aprender várias línguas, da curiosidade intelectual insaciável. Gêmeos representa o diálogo, o discurso, a vontade de acumular conhecimento e de passar informações. São características de Gêmeos ainda a consciência da polaridade masculino/feminino, a multiplicidade, mutabilidade, diversidade, versatilidade, pluralidade, inconstância, o que lhe conferiu criar uma obra múltipla, composta de vários seres, mas escrita por duas mãos. Como diz Fontes, é nesta multiplicidade que está a unidade (7, pág. 42). E continua:

Desde a infância, Pessoa vivia entre personagens criados por sua imaginação e que mais tarde se desdobraram em Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Alvaro de Campos, seus principais heterônimos, e outros semiseres como o Barão de Teive, Jean Seul, Bernardo Soares, Vicente Guedes, Antonio Mora, Alexandre Search, Rafael Baldaya e outros.

O termo heterônimo veio à luz a partir do surgimento de Pessoa pois se fazia necessário diferenciá-lo de pseudônimo, que são obras criadas com nome falso. A produção assinada por um suposto nome, estruturado sob linguagem e vida próprias, é obra do heterônimo (7, pág.13).

 Os três principais poetas heterônimos de Pessoa tinham dia de nascimento, mapa astral próprio e biografia particular. O poeta ele-mesmo narra suas aparições:

Aí por 1912, salvo erro, que nunca pode ser grande, veio-me a ideia de escrever uns poemas de índole pagã. Esbocei umas coisas em verso irregular (não no estilo de Alvaro de Campos, mas num estilo de meia regularidade), e abandonei o caso. Esboçara-se-me contudo, uma penumbra mal urdida, um vago retrato da pessoa que estava fazer aquilo. (Tinha nascido, sem que eu soubesse, o Ricardo Reis.) Ano e meio, ou dois anos depois, lembrei-me de fazer uma partida ao Sá-Carneiro, de inventar um poema bucólico, de espécie complicada e apresentar-lho, já me não lembro como, em qualquer espécie de realidade. Levei uns dias a elaborar o poeta que não consegui. Num dia em que finalmente desistira – foi 8 de março de 1914 – acerquei-me de uma cômoda alta e, tomando um papel, comecei a escrever de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi vinte e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não consegui definir. Foi o dia triunfal de minha vida e nunca poderei ter outro assim.

Abri o título, O Guardador de Rebanhos. E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre.(…) Aparecido Alberto Caeiro, tratei logo de lhe descobrir – instintiva e subconscientemente – uns discípulos. Arranquei do seu paganismo o Ricardo Reis latente, descobri-lhe o nome e ajustei-o a si mesmo, porque nessa altura já o via. E, de repente, de uma derivação oposta à Ricardo Reis, surgiu-me impetuosamente um outro indivíduo. Num jato, e à máquina de escrever, sem interrupção nem emenda, surgiu a Ode Triunfal de Alvaro de Campos – a Ode com esse nome e a o homem com o nome que tem. (O. em Prosa, p. 96)

Alberto Caeiro nasceu em 16 de abril de 1889, em Lisboa. Era órfão de pai e mãe, e desde cedo viveu no campo, a partir de pequenos rendimentos, junto à uma tia-avó. Não teve profissão nem educação literária para além da 4ª classe. Caeiro tinha estatura média, cabelos loiros e olhos azuis. (8)

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Ricardo Reis nasceu na cidade do Porto em 19 de setembro de 1887. Foi educado em colégio jesuíta (latinista por educação alheia e semihelenista por educação própria). Formou-se em medicina. Por ser monárquico, partiu para o Brasil em 1919. Reis era moreno, mais baixo e mais forte que Caeiro. (8)

RICARDO-REIS     MAPA-REIS-POR-FP_copy

Alvaro de Campos nasceu em Tavira em 15 de outubro de 1890. Fez o liceu em Portugal e o curso de Engenharia na Escócia. É engenheiro naval e vive em Lisboa. Viajou pelo Oriente (de onde resultou o Opiário). Era alto, magro e com tendência a curvar-se.

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Caeiro, Reis e Campos são poetas que pensam e escrevem distintamente, tendo, portanto, vidas diferentes. É impossível confundi-los. Dentre a obra do poeta, está Fernando Pessoa ele-mesmo, que se converte para nós em uma das obras de sua vasta produção literária (7, pág. 63). Caeiro era o poeta solar, amante da natureza, que aceita o mundo como ele é, com uma visão simplista e linguagem de vocabulário singelo: sua atividade é olhar e não pensar, acreditando nas coisas como vê, sem querer cobri-las de significado. Reis era de todos o mais venusiano, de composição poética com caráter lírico, formada por estrutura definida, estrofes simétricas e mecanismos que revelam sua formação literária clássica. Campos era o mais plutoniano de todos, um provocador, que trazia à tona o que não estava claro, nem sendo visto, que disse o que talvez Pessoa nunca diria, que extravasava as emoções como um vulcão que põe pra fora todos os seus resíduos, ferindo como uma espada, sem poupar.

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Fernando Pessoa

O traço leonino é o que culmina no mapa de Pessoa, região da carta astral que representa o papel do indivíduo em seu meio social. Faz menção à forte presença da mãe em sua infância, à família materna de origem elevada, que atingiu destaque social e prestígio político, assim como à sua ambição profissional; acentua a criatividade, a necessidade de se sentir especial e de centralizar, levando-o à liderança e à vontade de governar e dirigir; confere ainda a necessidade de se destacar no trabalho e de ser fundador de correntes ou escolas estéticas. Esse traço conferiu-lhe ainda a fama mesmo que póstuma e a admiração por grandes personagens da história e da cultura: no livro Cartas Astrológicas de Fernando Pessoa, editado em 2011, foram encontrados mais de 1500 mapas, entre os quais Robespierre, Lord Byron, Mussolini, Chopin, D. Carlos de Portugal, Victor Hugo, Guilherme II da Alemanha, W. Shakespeare e tantos outros.

DOIS, OITO, SEIS copy

Fernando Pessoa

O traço Escorpião está associado ao eterno processo de busca de si mesmo em meio à intensa passionalidade interna e à necessidade de transmutação, procurando sempre decifrar os mistérios do existir e da alma humana. O escorpião é um bicho que muda de casca oito vezes ao longo da vida e não é à toa que o associam à mudança, transformação, capacidade de regeneração e transcendência (7, pág.51).

Fernando Pessoa nasceu sob a significativa conjunção Netuno/Plutão (tal conjunção só ocorre a cada 498 anos), ocorrida no final do século XIX (1891), que dará origem à imensa transformação do pensamento humano pós- surgimento da psicanálise, da publicação da obra A Interpretação dos Sonhos de S. Freud (1899), da constatação da presença do inconsciente coletivo como parte integrante da psique humana. O poeta tinha verdadeiro fascínio pelo desconhecido, por penetrar nas camadas mais profundas do inconsciente, tanto coletivo quanto individual, e de traduzi-las em suas análises. Em alguns trechos de sua Obra em Prosa, se coloca como um homem que sente um profundo e inexprimível amor pela humanidade, desejando despertá-la para uma visão mais simplificada: o meu espírito vive constantemente no estudo e cuidado da Verdade, e no escrúpulo de deixar, quando eu despir a veste que me liga a este mundo, uma obra que sirva ao progresso e ao bem da humanidade. (O. em Prosa, p. 36), (7, pág. 52). Sua curiosidade geminiana e seu interesse pelo ocultismo o levariam a adentrar áreas como a própria psicanálise, além da alquimia, rosa-crucianismo, magia, teosofia, espiritismo, maçonaria.

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Ofélia

O traço capricorniano se encontra no isolamento e na repressão de seus afetos, no alijamento de seus convívios íntimos, na repressão da expressão de seus sentimentos. Em toda a vida, Pessoa teve apenas um amor, Ofélia Queiroz, uma colega de trabalho. Sua verdadeira história de amor talvez tenha sido mesmo com a mãe. Com a perda do pai e do irmão em tenra idade, Pessoa se vê como o exclusivo de sua mãe, que o traiu ao se casar pela segunda vez; e novamente a cada nascimento de cada irmão. Ao regressar a Lisboa, sozinho, o poeta se vê afastado definitivamente de seu primeiro amor. Esse traço capricorniano, sempre em busca de segurança emocional, pode tê-lo levado ao retraimento quase absoluto de envolvimento com o sexo oposto.

O namoro com Ofélia durou pouco. Começou em março de 1920 e em outubro, ao ver-se mergulhado em grande depressão psíquica, interrompe a relação um mês depois. Passados nove anos a amizade sentimental reacende ao receber carta de Ofélia confessando-se saudosa. O poeta lhe responde colocando-se como um homem a quem o casamento, propósito de qualquer relação, o impediria de realizar sua obra literária, prioridade máxima em sua vida.(7, pág.90)

Seus maiores companheiros foram o dois, oito, seis. Conta João Gaspar que Fernando Antonio, em taberna da Baixa, mesmo proibido de beber, costuma pedir a Trindade o misterioso dois, oito, seis quando à casa retorna, à noite, pasta a tira colo, pigarreando, com um ar um tanto patético, mandava encher uma garrafinha que trazia consigo, para esvaziá-la posteriormente em casa. Dois, oito seis, era naquele tempo, respectivamente os preços – em tostões – de uma caixa de fósforos, um maço de cigarros e uma dose de bagaceira.(1, pág. 112)

Fernando Pessoa morreu em 30 de novembro de 1935, de cirrose hepática.

REVISTA-ATHENA

Fernando Pessoa

 

Multipliquei-me para me sentir,

Para sentir, precisei sentir tudo, me

Transbordei, não fiz senão extravasar-me,

Despi-me, entreguei-me,

E há em cada canto de minha alma um altar a um deus diferente

(…)

Alvaro de Campos ( O.P., p.345)

 

 

Bibliografia citada:

(1) João Gaspar Simões, Vida e Obra de Fernando Pessoa, historia de uma geração, 2 Volumes, Bertrand 1950,

(2) João Gaspar Simões, Fernando Pessoa, Notas a uma biografia romanceada, Guimarães, 1951

(3) Angel Crespo, La vida plural de Fernando Pessoa, Seix Barral, 1988

(4) Robert Bréchon, Étrange Etranger, une biographie de Fernando Pessoa, Christian Bourgeois Editeur, 1996

(5)José Cavalcanti Filho, Fernando Pessoa, uma quase autobiografia, Porto Editora, 2012

(6) – Nuno Hipólito, uma biografia do íntimo, 2013

(7) Lilian Fontes, Fernando Pessoa, a essência de um geminiano, Editora Fontes, RJ, 2013

(8) – comentário de Octavio Paz, poeta, ensaísta, tradutor e diplomata mexicano, notabilizado por seu trabalho prático e teórico no campo da poesia moderna ou de vanguarda. Prêmio Nobel de Literatura em 1990.

(9) – http://gmmmz.blogspot.com.br/fernandopessoa e seus heterônimos

PERFIL VOCACIONAL

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